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Palabra del Ejército Zapatista de Liberación Nacional

Mar232020

Não precisamos de permissão para lutar pela vida. MULHERES ZAPATISTA JUNTAM-SE AO DESEMPREGO NACIONAL DE 9 DE MARÇO

EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL (EZLN)

México.

1 de Março de 2020.

Às Mulheres que lutam no México e no Mundo.

De: As mulheres indígenas zapatistas do EZLN.

Companheira e irmã:

A saudamos em nome das mulheres indígenas zapatistas de todas as idades, desde as pequeninas às de maior juízo, ou seja, de mais idade. Esperamos que se encontre bem e lutando na companhia de seus familiares, suas irmãs e companheiras.

Aqui temos muitos problemas por causa dos paramilitares, que agora são do partido Morena (Movimento Regeneração Nacional) e, antes, foram do PRI (Partido Revolucionário Institucional), do PAN (Partido de Ação Nacional), do PRD (Partido Revolucionário Democrático) e do Verde Ecologista.

No entanto, não é sobre isso que queremos falar, mas sim de algo que é mais urgente e mais importante: das grandes violências que há contra as mulheres, que parece que não se acabam, ao contrário, só aumentam, assim como a crueldade. Os assassinatos e desaparecimentos de mulheres já são uma loucura, que antes nem sequer se podia imaginar. Nenhuma mulher, de qualquer idade, classe social, militância política, cor, raça ou crença religiosa está a salvo. Talvez poderíamos pensar que as mulheres ricas, as governantes e as famosas, que têm condições de se proteger com seus guardas e polícia, poderiam dizer que estão seguras, mas nem elas, porque não são poucas as vezes que a violência que desaparece, sequestra e assassina, vem de nossos familiares, amigos e conhecidos.

É necessário acabar com essas violências, venham de onde venham. Foi por  isso que, antes, fizemos um chamado a nos manifestarmos, como mulheres que somos, o dia 8 de março de 2020. Cada uma à sua maneira, em seu espaço e  tempo. E pedimos que a demanda principal dessas manifestações seja deter a violência contra as mulheres. E também, claro, dizer que não esquecemos as mulheres desaparecidas e assassinadas em todos os governos, sejam elas de várias cores, azuis, verdes, amarelas, laranjas, café ou qualquer que seja sua cor, porque dá no mesmo. E para recordar aos maus governos e lembrar das mulheres que perdemos, propusemos que carregássemos em nossa roupa um sinal preto. Porque estamos de luto por tantas mortes cometidas contra mulheres em todo o mundo. E pior ainda, é que já nem as pequenas estão seguras.

            Irmã e companheira:

Faz alguns dias, soubemos que um grupo de irmãs feministas de Veracruz, do coletivo “Brujas del Mar”, teve uma boa ideia e chamou uma iniciativa de mobilização em protesto contra a violência. Sua ideia é fazer no dia 9 de Março uma mobilização de ausência, ou seja, que todos vejam e sintam o que acontece sem as mulheres, que seja um “Paro de Mujeres” (Greve de Mulheres).

Isto é, não ir trabalhar, não comprar, não se mexer, que não nos vejam. Porque, o dizem claramente, é como se as mulheres fossem o inimigo principal e o sistema nos quer  liquidar, ou seja, aniquilar.

Depois, nos deparamos com o que aconteceu com os machinhos e machinhas patriarcais que estão nesse mau governo, com os partidos políticos e com os grandes empresários. Já não se importam com as desgraças as quais vivem e morrem as mulheres no México. O que interessa a eles é montar em cima dessa dor e, a apagando, brigarem entre si para ver quem é melhor.

 Os poderosos e seus capatazes políticos estão, por um lado, se fazendo de muito “conscientes” e “sensíveis”, mas nem sequer se dão ao trabalho de se despir do modelo patriarcal, até dizem que dão “permissão” às mulheres para que protestem, uma vez que dizem que as matam. Agora vejam, eles dão permissão  às mulheres para que lutem por viver. São uns canalhas, eles e as mulheres que têm o mesmo pensamento machista, ainda que sejam mulheres.

E, por outro lado, pois está o governo supremo, que está desolado porque as pessoas não estão mais discutindo o que ele diz, nem arrotando ou vomitando em suas palavras. Acontece que algumas mulheres, jovens, pior para eles, assumiram o microfone e estão gritando o que o mau governo não diz. Sim, é ridículo que os mal chamados opositoras e opositores políticos se coloquem como “gente de bem”, que dá “permissão” de viver e mais ridículo ainda que o mau governo e seus fanáticos acusem de “golpista” a luta pela vida das mulheres . Agora sim, a situação está ainda pior, porque assim mandam: que ninguém pode viver ou sobreviver sem sua permissão, que ninguém pode lutar até que o mau governo o diga em uma de suas declarações. Por si só, assim são os machistas patriarcais, que acreditam que o mundo inteiro gira em torno de seus falos e de seus culhões. Se alguém está lutando sem permissão, é porque está contra um mau governo. Se assassinam às mulheres, se desaparecem com elas, se as sequestram, se as torturam, se as marcam, é porque essas mulheres são vítimas e fazem parte de um plano que deseja tirar o governo do poder. Já de cara se vê que eles não têm vergonha nenhuma.

Ainda que os canalhas patriarcas dos governos e dos patrões deem seus conselhos machistas às mulheres: que elas não se deixem ser manipuladas, que se comportem bem, que não arranhem as pedras e as portas, que não quebrem os vidros, que se vistam bem, que olhem pra baixo, que não deem o que falar, que tomem cuidado com o que dizem, que escrevam e pensem. Ou seja, que não façam nada sem a permissão deles. Que estejamos maduras para cair, que eles nos matem, desapareçam com nossos corpos e nos estuprem, mas não para pensar, analisar e decidir. Logo são uns asquerosos… e asquerosas, porque também existem mulheres que os aplaudem.

O que dizem é que, para tudo, temos que pedir permissão ao mau governo ou ao patrão, até mesmo para sobreviver. E assim está a maldita situação, companheira e irmã, na qual, no México e no mundo, sobrevivem as mulheres. Ou seja, estamos vivendo com medo. Isso não é viver, mas simplesmente não morrer… até que eles nos matem ou nos apaguem, e tudo isso com uma violência terrorista.

Há ainda aqueles que se dizem de esquerda, observam rindo como o mau governo está mostrando que ou é asqueroso ou é ignorante, como se fosse necessário olhar para os ataques dos maus governos para saber que, no fim das contas, eles são as duas coisas.

Esses que se dizem de esquerda também valorizam se a eles serve ou não os maus governos, ou se lhes serve ou não aqueles que criticam esse mesmo governo. Mas pouco se importam se a iniciativa é boa ou má para a luta pela vida, que é travada pelas mulheres. Veem os assassinatos, os desaparecimentos, os estupros e se alegram porque isso demonstra que o mau governo é, além de mau, um inútil. Essas pessoas deveriam melhor se perguntar se seus valores como de esquerda, que dizem que são, lhes permite olhar as lutas como se fossem verduras em um mercado e ver se as compram ou apenas a machucam.

E de todas as disputas daqueles que falam de cima – os maus governos, os grandes meios de comunicação, os partidos políticos e os grandes cabeças – se esquece do mais importante, aquilo que vai marcar os dias 8 e 9 de março, e que não é o fato de estarem nos matando, mulheres que somos, mas sim, que vamos lutar por nossas vidas com todos os meios e à nossa maneira, no nosso tempo e lugar.

Saber que todos aqueles que não se importam com a vida, não são de direita, nem de esquerda, nem centro. Nem sequer humanos são.

A luta pela vida é essencial para toda a humanidade e não precisa da permissão de ninguém, porque a carregamos no sangue. E se alguém pensa que a luta pela vida das mulheres é golpista, ou de direita, ou governista, ou esquerdista, ou antigovernamental, ou é de uma cor, pensamento ou religião, pois que este defende a morte. Se descobrem outra mulher assassinada, perguntam primeiro qual é a cor de sua pele, seu partido, sua religião ou ainda falam mal, mas não dos assassinos, e sim da mulher vitimada.

Não entendemos como o mundo chegou nesse ponto. E ainda dizem que nós, indígenas zapatistas, estamos atrasadas ​​e que não conhecemos o desenvolvimento e o progresso que os megaprojetos, o dinheiro e o consumo trazem. Esse é o progresso deles: baratear a vida das mulheres, porque é muito barato desaparecer, sequestrar ou matar uma mulher, porque não há castigo. Pelo contrário, não faltam aqueles que aplaudam e digam “uma inimiga a menos”, “menos um estorvo”, “menos uma pecadora”, “menos uma radical”, “menos uma conservadora”, “uma mulher a menos”.

Não entendemos por que existem pessoas assim, mas entendemos que não podemos ficar sem fazer nada, pensando que essas dores e esse ódio não são nossos, ou seja, que não nos tocam … até que nos toquem.

***

Como mulheres zapatistas que somos, é isso que pensamos e sentimos quando analisamos as palavras e ações das irmãs bruxas:

Primeiro.- Nós saudamos sua iniciativa. A vemos como algo valioso, bom, nobre, honesto e legítimo. E a apoiaremos à nossa maneira. Porque qualquer mulher, seja uma, umas poucas, ou mesmo muitas, que lutem pela vida, devem saber que não estão sozinhas. Porque nosso pensamento é que as ausentes, as assassinadas, as desaparecidas e as encarceradas devem saber que não estão sozinhas, pois essa é a razão maior para que vivas que lutem.

Acreditamos ser uma boa ideia, porque, no dia 8 de março, verão e sentirão nossas dores e nosso ódio. E no dia 9, os machistas patriarcais vão se preocupar com o que estamos pensando, planejando ou sentindo, porque não saberão, não vão nem nos ver. Que tal nos organizarmos mais e melhor? Porque às vezes, da dor e da raiva não resulta desespero ou resignação. Assim, pode ser que o caminho seja a organização.

Segundo.- É por essas questões que, a nossa maneira, como mulheres zapatistas que somos, que conversamos com nossas outras companheiras zapatistas das comunidades. Perguntamos a elas se a greve nacional no 9 de março é uma boa ideia. E se, sim,  pensam ser uma boa ideia, não apenas dizer que é uma boa ideia, mas fazer algo para nos apoiarmos como mulheres que lutam, que é o que somos.

Propomos que, no dia 9 de março, as companheiras que trabalham, seja como autoridade autônoma, seja como liderança organizativa ou militar, ou em comissões de educação, saúde ou terceiras e em todos os trabalhos que fazemos, como mulheres zapatistas que somos, pois que simplesmente não nos apresentemos em nossos trabalhos.

Esse é o nosso jeito de dizer que apoiamos a ideia do 9 de março sem mulheres, como mais uma iniciativa das mulheres que lutam pela vida. E, como mulheres indígenas, somos a maioria na autonomia zapatista, porque nesse dia a autonomia zapatista irá parar.

Nós pensamos e conversamos sobre esse assunto e, junto às companheiras das mais diferentes zonas zapatistas, estivemos de acordo em nos somar à greve do dia 9 de março de 2020, convocada pelas irmãs Brujas del Mar.

Terceiro.- No dia 8 de março, nos reuniremos, milhares de mulheres zapatistas, em nossos caracóis e falaremos das dores e do ódio que escutamos nos dois encontros de mulheres que tivemos, mas também falaremos de lutas, das nossas e das de vocês, companheiras e irmãs que nos leem.  E levaremos um sinal de cor negra em nossas roupas.

No 9 de março, muitas de nós não iremos aos nossos povos, vamos ficar juntas e, na madrugada do dia 9 de março, acenderemos milhares de luzes. Nos caracóis e nos povos zapatistas a luz das mulheres brilhará.

Não apenas para que as mulheres que fazem desse dia um dia de luta saibam que as olhamos, que as admiramos, que as respeitamos e que as saudamos, que não estão sozinhas. Mas também para que, com essas luzes, as irmãs ausentes, as assassinadas, as desaparecidas, as encarceradas, as migrantes, as estupradas, saibam que aqui, nestas montanhas, em resistência e rebeldia, há quem se preocupa com elas e com seus familiares, por sua dor e por seu ódio. Não importa se essa irmã que está lutando é branca, ou negra, ou amarela ou da cor da terra. Não importa se acredita ou não acredita em uma religião. Não importa se se veste bem ou mal. Não importa se tem salário ou não. Não importa se está em um partido ou não. Não importa se é amiga ou inimiga. O que importa é que está viva e livre. Porque assim, vivas e livres, podemos criticar, falar mal, brigar, debater, discutir, analisar e, talvez, fazer um acordo: lutar contra a violência que promovem contra as mulheres.

Com tanta matança, vamos de luto em luto, de dor em dor, de uma indignação a outra. Talvez seja esse o plano desse maldito sistema: matar e desaparecer com nossos corpos para que não tenhamos tempo nem estrutura para nos organizar e lutar contra o sistema patriarcal e capitalista.

No entanto, como acontece na história desde que o mundo é mundo, pois o que acontecerá é que vamos nos organizar precisamente para deter essa matança. E depois, porque sempre tem aquele que diz que só pode até aqui, haverá outras lutas e seguiremos mais além, até terminar com a raíz da árvore de nossa dor: o sistema capitalista patriarcal, racista, explorador, repressivo, ladrão e desumano.

Quando, enfim, conquistarmos o direito de viver, haverá quem diga que a escravidão é boa e a abrace e a defenda como caminho, como mandato divino,  te desejo má sorte ou até boa sorte.

Haverá quem diga que o que precisamos é ter um bom pagamento. Ou seja, que a exploração que sofremos, homens e mulheres, tenha o mesmo pagamento.

Haverá quem necessite de liberdade como se necessita do ar e lute para conquistá-la.

Haverá quem seja livre e lute por defender sua liberdade.

Haverá quem diga que podemos sozinhas, como mulheres que somos.

Haverá quem diga que é preciso destruir o monstro do sistema, e que, para isso, é necessário lutar com todas, com todos… e com tudo.

Em lugar de tantas mulheres assassinadas, desaparecidas, tantas sequestradas, tantas estupradas, talvez haverá muitas ideias, muitos pensamentos, muitas formas de se fazer a luta, como mulheres que somos.

Assim, talvez, se entenda que a diferença é boa, mas para que exista a diferença tem-se que viver.

Quarto.- Portanto, fazemos um chamado respeitoso às irmãs e companheiras do Congresso Nacional Indígena – Conselho Indígena de Governo, da Sexta Nacional e Internacional e das Redes de Resistência e Rebeldia, para que analisem e discutam se é boa ou má essa proposta das irmãs bruxas ou se há outras propostas. E se pensam que é boa a proposta, adiram a ela e sem permissão. E se pensam que não é boa e que é melhor outra proposta, que seja então outra iniciativa, vão em frente, e sem tampouco pedirem permissão. Assim como nós também não estamos pedindo permissão aos líderes e autoridades, nem pais, filhos, namorados, maridos ou amantes, assim vamos fazer, porque não à toa nos levantamos em armas desde primeiro de janeiro de 1994.

Logo, vejam bem, apenas saibam que não nos importa se nos dizem que somos conservadoras, ou golpistas, ou de direita ou de esquerda. E esses maus governos, que dizem que a sociedade se divide em liberais e conservadores, pois se dizem estão contra o neoliberalismo, então é hora de se chamarem “neoconservadores”.

Assim pensamos e assim vamos fazer, como mulheres zapatistas que somos. E vamos fazer SEM PEDIR PERMISSÃO A NENHUM HOMEM, seja mau, seja bom, ou nenhum dos dois.

Isso é tudo.

Desde as montanhas do Sudeste Mexicano.

Escrito pelas mulheres zapatistas do EZLN (Exército Zapatista de Libertação Nacional)

Marisol, Yeny, Rosa Nery, Yojari, Lucia, Sol, Elizabet, otra Elizabet, Yolanda, Natalia, Susana, Adela, Gabriela, Anayeli, Zenaida, Cecilia, Diana, Alejandra, Carolina, Dalia, Cristina, Gabriela, Maydeli, Jimena, Diana, Kelsy, Marisol, Luvia, Laura.

Comandantas e Coordenadoras de Mulheres Zapatistas do EZLN.

México, 1 de março de 2020.

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