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Palabra del Ejército Zapatista de Liberación Nacional

Mar292018

A Comissão Sexta do Exército Zapatista de Libertação Nacional convoca ao CONVERSATÓRIO (ou semeador, dizem): “Olhares, Escutas e Palavras: Proibido Pensar?”

A Comissão Sexta do Exército Zapatista de Libertação Nacional convoca ao CONVERSATÓRIO (ou semeador, dizem): “Olhares, Escutas e Palavras: Proibido Pensar?”

 

 

EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL.

Comissão Sexta do EZLN.

México.

Março de 2018.

Às pessoas, grupos, coletivos e organizações que, em todo o mundo, entenderam e fizeram sua a iniciativa do Concelho Indígena de Governo e sua porta-voz:

À Sexta nacional e internacional:

Aqueles que assinaram pela porta-voz do Concelho Indígena de Governo:

CONSIDERANDO QUE:

Primero e único:

A Família Feliz.

  Um povoado, ou cidade, ou como se diga.  Um lugar do mundo.  Um muro.  Colado na grosa superfície do grande muro, um anuncio, cartaz, ou como se diga.  Na imagem, um homem e uma mulher sorriem frente a uma mesa farta de comida variada.  A um lado do casal, uma menina sorridente; ao outro lado, um menino mostrando sua reluzente dentadura.  Sobre eles, em letras grandes e intimidantes, se lê “A FAMÍLIA FELIZ”.  O cartaz está já velho, com o desgaste do tempo apagando as cores que, supomos, alguma vez foram brilhantes e, sim, se poderia dizer que felizes.  Algumas mãos anónimas agregaram, em papel, pequenos letreiros: “A família feliz é feliz só com a benção do divino”; “Não a família homossexual, ¡morram os maricas e as sapatonas!”; “A maternidade é o que define a mulher feliz”; “Se desentope canos.  Orçamento sem compromisso”; “Se aluga casa feliz para família feliz.  Famílias infelizes, abstenham-se”.

  Em frente, pela calçada ao pé do muro, as pessoas transitam de um lado a outro sem amenos prestar atenção na imagem opaca.  De vez em quando, alguma perece aplastada por um pedaço que cai do muro decrépito.  Certo, cada vez com mais frequência sucedem esses derrocamentos parciais.  Pedaços do muro se desprendem e esmaga as vezes uma só pessoa ou um pequeno grupo, as vezes a comunidades inteiras.  A comoção na multidão dura apenas uns instantes, e retoma seu caminho sob o olhar pálido da família feliz.

   Catástrofes menores e maiores, isso não deve distrair-nos do essencial agora: cada tanto de tempo, o supremo fazedor de “famílias felizes”, anuncia a eleição, livre e democrática, do cuidador do cartaz.  E precisamente agora, o feliz calendário que, agora você nota, pode ver-se detrás da família feliz, marca que é o tempo de eleger.  Nestas datas, uma febril atividade recorre o gentio que, sem parar, opina, discute e briga pelas distintas opções que se oferecem para cuidar o gigantesco cartaz.

  Há quem aponta o perigo de que a imperícia manifesta de seus oponentes, ponha em risco a já maltratada imagem, símbolo de identidade do povoado, cidade, ou como se diga.  Uma pessoa oferece remoçá-lo e devolver-lhe o brilho e a cor que alguma vez teve (na realidade, ninguém lembra desse tempo, assim que nem sequer se pode garantir que alguma vez existiu –claro, em dado caso de que se possa atribuir existência ao tempo-).  Outra mais diz que as administrações anteriores descuidaram a imagem e a isso se deve seu visível deterioro.

  As diferentes propostas acendem as discussões nos transeuntes.  Se cruzam acusações, calunias, falácias, argumentos com solidez efêmera, condenações e sentenças apocalípticas.  Se reflete sobre a importância e transcendência do momento, a necessidade da participação consciente.  Não em vão se tem lutado tantos anos para poder eleger alguém que cuide a feliz imagem da família feliz.

  Se formam bandos: lá o daqueles que insistem em uma renovação prudente; aquele outro insiste no postulado científico de que “mais vale mau conhecido, que bom por conhecer”; outro bando aglutina aqueles que oferecem probidade, bom gosto, modernidade.  Uns e outros gritam: “Não pense!, Vote!”.  Una faixa estorva o transito do povo, nela se lê “Qualquer chamado a raciocinar o voto, é um chamado a abstenção.  Não é momento de pensar, mas sim de tomar partido”.

  As discussões nem sempre são medidas.  É tão importante eleger o responsável da imagem, que não poucas vezes os bandos chegam a violência.

  Há quem fale de numerosas quantidades de felicidade para quem resulte vencedor, mas, longe dos interesses mundanos, nos rostos austero dos concorrentes se adverte a seriedade do assunto: é um dever histórico, o futuro está na mão titubeante daqueles que terão de eleger, é uma grave responsabilidade pesando sobre os ombros do povo; peso que, felizmente, será aliviado quando se saiba quem se levanta com o triunfo, e tarefa de procurar felicidade a feliz imagem da família feliz.

  É tal o frenesi, que todos se esquecem por completo da imagem retratada.  Mas a família feliz luz, na solidão do muro, seu perene e inútil sorriso.

  Ao pé da longa e alta parede, uma menina levanta a mão pedindo falar.  Os bandos apenas a notam, mas não falta quem diga: “coitadinha, é uma menina e quer falar, deixemo-la”.  “Não”, diz outro bando, “é um truque do bando contrário, é para dividir o voto, é uma distração para que não reparemos na gravidade do momento, é um claro chamado à abstenção”.  O terceiro bando, objeta: “Que capacidade pode ter uma menina para opinar sequer sobre o cartaz?  Lhe faltam estudos, crescer, amadurecer”.  E outro: “não vamos perder o tempo escutando uma menina, devemos nos concentrar no importante: decidir quem é melhor para cuidar o cartaz”.

  A “Comissão de Nitidez e Legitimidade para a Eleição do Encarregado de Cuidar a Imagem da Família Feliz” (CNLEECIFF, por suas siglas), emitiu um sério e breve comunicado, acorde com a gravidade dos tempos: “As regras são claras: NÃO SE ADMITEM MENINAS”.

  Novas reflexões dos analistas especializados: “o único que conseguiu a menina foi legitimar a CNLEECIFF.  Ao pedir a palavra, a menina entrou no jogo e perdeu, no mais são consolos”; “O fracasso da menina é sintoma do fracasso do processo renovador, as instituições deveriam deixar que a menina fale”; “Foi comovedora, ela com sua mãozinha levantada, pedindo atenção, coitadinha”; “Foi um resultado adverso, produto de uma análise errónea da conjuntura, e o contexto e a correlação de forças, isso demonstra a ausência de uma vanguarda revolucionária que dirija as massas”; “Etecetera”.

  Mas as discussões apenas duraram uns minutos, e o ir e vir de passos sem logica continuou seu curso.  Não se escutou a menina falar, enquanto apontava, não a imagem, mas sim o muro sobre o que a família feliz luzia sua já deteriorada placidez.

  Parada sobre um dos escombros, rodeada de cadáveres de meninas e de pedras desprendida, a menina mostrou, lacônica, o evidente:

“Vai cair”.

  Mas ninguém escutou…

  Um momento… ninguém?

(Continuará?…)

-*-

  Com base no anteriormente exposto, a Comissão Sexta do EZLN convoca ao:

CONVERSATÓRIO (ou semeador, dizem):

“Olhares, Escutas e Palavras: Proibido Pensar?”

  No que diversas pessoas do Congresso Nacional Indígena, do Concelho Indígena de Governo, das artes, das ciências, do ativismo político, do jornalismo e da cultura, nos partilharam o que veem e escutam.

  O conversatório será realizado nos dias 15 ao 25 de abril de 2018, no CIDECI-Unitierra, San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, México.

Já confirmaram sua participação, entre outr@s:

Marichuy (porta-voz do Concelho Indígena de Governo).

Lupita Vázquez Luna (concelheira do Concelho Indígena de Governo).

Luis de Tavira Noriega (diretor de Teatro).

Mardonio Carballo (escritor).

Juan Carlos Rulfo (cineasta).

Paul Leduc (cineasta).

Cristina Rivera-Garza (escritora).

Abraham Cruzvillegas (artista visual).

Néstor García Canclini (antropólogo).

Emilio Lezama (escritor e analista político).

Irene Tello Arista (colunista e ativista).

Erika Bárcena Arévalo (advogada e antropóloga).

Ximena Antillón Najlis (psicóloga, especialista em vítimas da violência).

Jacobo Dayán (acadêmico e ativista pelos Direitos Humanos).

Marcela Turati (jornalismo de investigação).

Daniela Rea Gómez (jornalista).

Carlos Mendoza Álvarez (filósofo).

John Gibler (jornalista).

Javier Risco (jornalista).

Alejandro Grimson (antropólogo).

Enrique Serna (novelista).

Paul Theroux (escritor).

Juan Villoro (escritor).

Pablo González Casanova (sociólogo e zapatista, não necessariamente nessa ordem).

Gilberto López y Rivas (antropólogo).

Alicia Castellanos Guerrero (antropóloga).

Magdalena Gómez Rivera (advogada).

Bárbara Zamora (advogada).

Margara Millán Moncayo (socióloga feminista).

Sylvia Marcos (psicóloga e socióloga feminista).

Jorge Alonso Sánchez (antropólogo).

Fernanda Navarro y Solares (filósofa).

Néstor Quiñones (artista gráfico).

Raúl Romero (sociólogo).

Rafael Castañeda (militante político).

Luis Hernández Navarro (periodista).

Carlos Aguirre Rojas (sociólogo e economista).

Sergio Rodríguez Lascano (militante político).

Carlos González (advogado e ativista na luta dos povos originários).

Adolfo Gilly (militante político, historiador e analista).

Carolina Coppel (videasta).

Mercedes Olivera Bustamante (antropóloga feminista).

María Eugenia Sánchez Díaz de Rivera (socióloga).

“Lengua Alerta” (musiqueiro).

“Panteón Rococó” (musiqueiros).

“El Mastuerzo” (guacarockeiro).

“Batallones femeninos” (musiqueiras feministas).

“Los Originales de San Andrés” (musiqueiros zapatistas).

“La Dignidad y la Resistencia” (musiqueiras zapatistas).

  Conforme vá confirmando @s demais convidad@s (cujo nomes não se aponta para proteger @s inocentes) se fará pública a lista completa, assim como os dias e horários da participação de cada um.

  O endereço para registrar-se como escuta-vidente, meio de comunicação livre ou de dinheiro, é:

asistentesemillero@enlacezapatista.org.mx

(por favor por nome, cidade, estado ou país, individual ou coletivo).

Dito o anterior, não faltem… ou faltem, a questão é que vejam, escutem e pensem.

Das montanhas do Sudoeste Mexicano.

Pela Comissão Sexta do EZLN (seção “convites e obviedades)

SupGaleano.

México, março de 2018.

 

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