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Palabra del Ejército Zapatista de Liberación Nacional

Ene242017

Declaração do V Congresso Nacional Indígena

E ESTREMECEU! INFORME DESDE O EPICENTRO…

Aos Povos Originários do México

À Sociedade Civil do México e do Mundo

 À Sexta Nacional e Internacional

Aos Meios Livres de Comunicação

Irmãos, Irmãs

É o momento dos povos, de semear-nos e reconstruir-nos. É o momento de passar à ofensiva e é este o acordo que se projeta nos nossos olhos, nos indivíduos, nas comunidades, nos povos, no Congresso Nacional Indígena; é tempo de que a dignidade governe este país e este mundo e em seu rastro floresçam a democracia, a liberdade a justiça.

Damos a conhecer que na segunda etapa do V CNI avaliamos minuciosamente o resultado da consulta aos povos que somos o Congresso Nacional Indígena e que aconteceu nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2016, nos quais de todos os modos, as formas e as línguas que nos representam na geografia de este país emitimos acordos de assembleias comunais, camponesas,  de coletivos, municipais, intermunicipais e regionais, que mais uma vez nos levam a entender e assumir com dignidade e rebeldia a situação pela que atravessa nosso país, nosso mundo.

Saudamos as mensagens de apoio, de esperança e de solidariedade que deram intelectuais, coletivos e povos que refletem esperança ante nossa proposta à que denominamos “Que Estremeça em Seus Centros a Terra” e que levamos a público na primeira etapa do V CNI, saudamos também as vozes críticas, muitas delas com argumentos fundamentalmente racistas, que refletem uma indignação raivosa e desprecio por pensar em que uma mulher indígena pretenda não só contender em uma eleição presidencial, senão propor mudar realmente, desde baixo, a este doído país.

A todos eles, lhes dizemos que na realidade estremeceu a terra e nós com ela, e que pretendemos sacudir a consciência da nação, que na verdade pretendemos que a indignação, a resistência e a rebeldia figurem nas cédulas eleitorais de 2018, más que não é nossa intenção competir em nada com os partidos e toda a classe política que ainda nos devem muito; cada morto, desaparecido, preso, cada despejo, cada repressão e cada desprecio. Não nos confundam, não pretendemos competir com eles porque não somos o mesmo, não somos suas palavras mentirosas e perversas. Somos a palavra coletiva de baixo e à esquerda, essa que sacode o mundo quando a terra estremece com epicentros de autonomia, e que nos fazem tão orgulhosamente diferentes que:

  1. Enquanto o país está submergido no medo e o terror que nasce entre milhares de mortos e de desaparecidos, nos  municípios da montanha e costa de Guerrero nossos povos têm criado condições de segurança e justiça verdadeira; em Santa Maria Ostula, Michoacán, o povo Nahua tem-se unido com outras comunidades indígenas para manter a segurança nas mãos dos povos, onde o epicentro da resistência é a assembleia comunal de Ostula, garante a ética de um movimento que tem permeado já os municípios de Aquila, Coahuayana, Chinicuila e Coalcomán. Na meseta purépecha a comunidade de Cherán tem demostrado que com organização, expulsando aos políticos de sua estrutura de mau governo e exercendo suas próprias formas de segurança e governo é possível não só construir a justiça, mas também que igual que em outras geografias do país só desde baixo, desde a rebeldia se reconstroem novos pactos sociais, autónomos e justos, e não deixamos nem deixaremos de construir desde baixo a verdade e a justiça negada para os 43 Estudiantes da normal de Ayotzinapa, Guerrero, desaparecidos, os 3 companheiros Estudiantes que foram assassinados e os companheiros feridos, todos pelo narco-governo mexicano e suas forças repressivas. Enquanto tanto os maus governos criminalizam a luta social, a resistência e a rebeldia, perseguindo, assediando, desaparecendo, prendendo e assassinando a homens e mulheres cabais que lutam por causas justas.
  2. Enquanto a destruição alcança todos os cantos do país, sem conhecer limites afastando a pertença à terra e ao sagrado, o povo Wixárika, junto com os comités em defesa da vida e da água do altiplano potosino tem nos mostrado que se pode defender um território, seu meio ambiente e equilíbrios com base em reconhecer-se com a natureza, com uma visão sagrada que renova cada dia os vínculos ancestrais com a vida, a terra, o sol e os antepassados, abarcando 7 municípios no território sagrado cerimonial de Wirikuta em San Luis Potosí.
  3. Enquanto os maus governos deformam as políticas do Estado em relação a educação sujeitando-a ao serviço das corporações capitalistas para que esta deixe de ser um direito, os povos originários criam escolas de nível fundamental, de segundo grau e universidades com sistemas educativos próprios, baseados na proteção da nossa mãe terra, na defesa territorial, na produção, nas ciências, nas artes, em nossas línguas, lembrando que a maioria desses processos criados sem apoio de nenhum nível do mau governo, está ao serviço de todas e todos.
  4. Enquanto os meios de comunicação capitalistas, porta voz daqueles que prostituem cada uma das palavras que difundem e enganam mantendo dormindo aos povos do campo e da cidade, fazendo passar por delinquentes aqueles que pensam e defendem o que é seu e sempre são considerados como os maus, os vândalos, os inadaptados. Em quanto que os que vivem da ignorância e da alienação são os socialmente bem, e os que oprimem, reprimem, exploram e despojam são sempre os bons, os que merecem ser respeitados e governar para servir-se. E enquanto isso acontece os povos tem feito meios próprios de comunicação pensando formas diversas para que a consciência não seja opacada pela mentira que os capitalistas impõem, usando-os além do mais para fortalecer a organização de baixo, de onde nasce cada palavra verdadeira.
  5. Enquanto a “democracia” representativa dos partidos políticos tem-se convertido numa chacota  à vontade popular, na que os votos se compram e se vendem como uma mercadoria a mais e se manipula pela pobreza na que os capitalistas mantém às sociedades do campo e das cidades, os povos originários continuam cuidando e fortalecendo formas de consensos e assembleias como órgãos de governo nas que a voz de todos e todas se transformam em acordos profundamente democráticos, abarcando regiões inteiras a través de assembleias que versam em torno aos acordos de outras assembleias e estas por sua vez surgem da vontade profunda de cada família.
  6. Enquanto os governos impõem suas decisões em benefício de uns poucos, suplantando a vontade coletiva dos povos, criminalizando e reprimindo aqueles que se oponham a seus projetos de morte que impõem sobre o sangre de nossos povos como é o Novo Aeroporto da Cidade do México, fingindo que consultam as pessoas enquanto impõem sua morte, os povos originários temos os modos e as formas constantes de consulta previa, livre e informada por pequena ou grande que esta seja.
  7. Enquanto que com suas reformas privatizadoras os maus governos entregam a soberania energética do país aos interesses estrangeiros e os altos custos da gasolina delatam a mentira capitalista que só traça caminhos para a desigualdade e a resposta rebelde dos povos indígenas e não indígenas do México, que os poderosos não poderão ocultar nem calar; os povos fazemos frente e lutamos por deter a destruição dos nossos territórios pelo fracking, os parques eólicos, mineradoras, os poços petroleiros, gasodutos e oleodutos nos estados como Veracruz, Sonora, Sinaloa, Baixa Califórnia, Morelos, Oaxaca, Yucatán e todo o território nacional.
  8. Enquanto os maus governos impõem uma alimentação tóxica e transgénica a todos os consumidores do campo e das cidades, os povos Maias mantem uma luta incansável para deter o cultivo de transgénicos na península de Yucatán e em todo o país para conservar a riqueza genética ancestral, que além de tudo significa nossa vida e organização coletiva e a base de nossa espiritualidade.
  9. Enquanto a classe política só destruí e promete, os povos construímos não para governar, mas sim para existir com autonomia e livre determinação.

Nossas resistências e rebeldias constituem o poder de baixo, não oferecem promessas nem ocorrências, mas sim processos reais de transformação radical na que participam todas e todos e que são tangíveis nas diversas e enormes geografias indígenas desta nação. É por isso que como Congresso Nacional Indígena, reunidos neste V Congresso 43 povos deste país, ACORDAMOS nomear um Concelho Indígena de Governo com representantes homens e mulheres de cada um dos povos, tribos e nações que o integram. E que este concelho se proponha a governar este país. E que terá como voz a uma mulher indígena do CNI, ou seja, que tenha sangue indígena e conheça sua cultura. Ou seja, que tem como porta voz uma mulher indígena do CNI que será candidata Independiente à presidência do México nas eleições do ano 2018.

É por isso que o CNI como a Casa de Todos os Povos somos os princípios que configuram a ética de nossa luta e na que cabem todos os povos originários de este país, esses princípios nos que se aloja o Concelho Indígena de Governo são:

Obedecer e não mandar

Representar e não suplantar

Servir e não servir-se

Convencer e não vencer

Baixar e não subir

Propor e não impor

Construir e não destruir

É o que estamos inventando e reinventando não por prazer, mas sim como a única forma que temos de seguir existindo, ou seja, esses novos caminhos tirados da memória coletiva de nossas formas próprias de organização, são produto da resistência e da rebeldia, de fazer frente cada dia à guerra que não para e que não tem conseguido acabar com nós. Dessa maneira no só tem sido possível traçar o caminho para a reconstituição integral dos povos, mas também novas formas civilizatórias, esperanças coletivas que se fazem comunitárias, municipais, regionais, estatais e que estão dando respostas precisas a problemas reais do país, longe da classe política e sua corrupção.

Partindo deste V Congresso Nacional Indígena chamamos aos povos originários deste país, aos coletivos da Sexta, aos trabalhadores e trabalhadoras, frentes e comités em luta do campo e das cidades, à comunidade estudantil, intelectual, artística e científica, à sociedade  civil não organizada e a todas as pessoas de bom coração a unir-nos e passar à ofensiva, a desmontar o poder de cima e reconstituir-nos já não só como povos, mas também como país, desde baixo  e a esquerda, a somarmos numa só organização na que a dignidade seja nossa palavra última e nossa ação primeira. Os chamamos a organizarmos e parar esta guerra, a não ter medo a construirmos e semearmos sobre as ruinas deixadas pelo capitalismo.

É isso o que nos demanda a humanidade e nossa mãe que é a terra, em isto encontramos que é o tempo da dignidade rebelde e que materializaremos convocando a uma assembleia constitutiva do Concelho Indígena de Governo para México no mês de Maio de 2017 e desde este momento estenderemos pontes aos companheiros e companheiras da sociedade civil, os meios de comunicação e os povos originários para fazer estremecer nos seus centros a terra, vencer o medo e recuperar o que é da humanidade, da terra e dos povos, pela recuperação dos territórios invadidos o destruídos, pela apresentação dos desaparecidos do país, pela liberdade de todas e todos os presos políticos, pela verdade e a justiça para os assassinados, pela dignidade do campo e da cidade. Ou seja, não tenham dúvida, vamos com tudo, pois sabemos que temos em frente talvez a última oportunidade como povos originários e como sociedade mexicana de mudar pacífica e radicalmente nossas formas próprias de governo, fazendo que a dignidade seja o epicentro de um novo mundo.

Desde Oventik, Território Zapatista, Chiapas, México

Nunca Mais um México Sem Nós

Congresso Nacional Indígena

Exército Zapatista de Libertacao Nacional.

 

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