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Palabra del Ejército Zapatista de Liberación Nacional

May072018

Falta o que falta

Falta o que falta

Abril de 2018.

As Redes de Apoio ao CIG e Marichuy:

Àqueles que participaram na Associação Civil “Llegó la hora del florecimiento de los pueblos”:

À Sexta Nacional e Internacional:

Ao povo do México:

Aos meios livres, autónomos, alternativos, independentes:

À imprensa nacional e internacional:

De frente a agudizacão da guerra, despojo e repressão que invade nossos povos junto com o avance do processo eleitoreiro e de acordo aos passos andados pelas geografias deste país por nossa porta-voz Marichuy junto com os concelheiros e concelheiras, nos dirigimos respeitosamente ao povo do México para dizer-lhes que:

Escutamos a dor de todas as cores que somos o México de baixo.

Com o pretexto do período de recolecção de assinaturas, percorremos os territórios indígenas do nosso país onde juntos, fizemos crescer nossa proposta política de baixo, de onde se visibilizou a luta de muitos povos originários, seus problemas e suas propostas.

Com nossa participação neste processo eleitoral, reiteramos aos povos indígena e não indígenas do México que não permaneceremos quietos enquanto destroem e nos arrebatam a terra, que herdamos de nossos avôs e que devemos a nossos netos, enquanto contaminam os rios e perfuram as serras para tirar minerais, não ficaremos quietos enquanto convertem a paz e a vida que viemos construindo diariamente em guerra e morte mediante os grupos armados que protegem seus interesses. Nossa resposta, não tenham dúvida, será a resistência organizada e a rebeldia para sarar o país.

Com a grande mobilização de milhares e milhares de companheiras e companheiros das redes de apoio em todo o país, percebemos e se fez descaradamente visível que para aparecer na cédula eleitoral se necessita garantir que sejamos igual ou pior que eles, e se apresentamos assinaturas devem ser falsas ou não valem, se gastamos dinheiro deve ser de obscura procedência, se dizemos algo deve ser uma mentira, se acordamos algo sério, deve ser com os políticos corruptos, com as empresas extrativistas, com os banqueiros, com os traficantes de droga, más nunca, jamais, com o povo do México.

Aparecer nas cédulas eleitorais é só para aqueles que procuram administrar o poder de cima oprimindo os de abaixo, porque o poder que buscam está podre em todas suas partes.

Então, é uma competição que se pode ganhar jogando sujo, dinheiro e poder, como o mercado das eleições da classe política na que não cabe nem caberá a palavra dos de baixo, dos que sendo indígenas ou os que sem ser parte de um povo originário, despreciam o poder e constroem a democracia tomando decisões em coletivo, que logo se fazem governo em uma rua, em um bairro, em una comunidade, em um coletivo, em uma cidade ou em um estado.

Então o processo eleitoral é um grande chiqueiro no qual disputa quem pode falsificar milhares de assinaturas e quem tem os milhões em dinheiro que lhe permitam coagir e comprar o voto, enquanto a maior parte do povo do México se debate entre a pobreza e a miséria.

Por isso nossa proposta não é igual, por isso não estamos fazendo campanha, por isso não nos dedicamos a falsificar assinaturas, nem a buscar e gastar dinheiros que o povo do México precisa para atender suas necessidades vitais, por isso não precisamos ganhar nenhuma eleição nem resolver-nos com a classe política, senão que é o poder de baixo que caminhamos buscando, que nasce das dores dos povos e por isso caminhamos buscando a dor de todas as cores que somos o povo do México, porque aí está a esperança de que nasça um bom governo que mande obedecendo e que só poderá emergir da dignidade organizada.

Não é só o racismo da estrutura política o que não deixou que nossa proposta figure na cédula eleitoral, pois se aqueles que se opõem a destruição capitalista do mundo compartilharam entre si os olhos puxados, azuis ou vermelhos, as políticas públicas e a suposta democracia estariam feitas para exclui-los.  Os povos originários e aqueles que caminhamos a baixo e a esquerda não cabemos nesse jogo; não por nossa cor, nossa raça, nossa classe, nossa idade, nossa cultura, nosso gênero, nosso pensamento, nosso coração, mas sim porque somos um com a mãe terra e nossa luta é para que não se converta tudo em uma mercadoria, pois seria a destruição de tudo, começando pela nossa destruição como povos.

Por isso lutamos, por isso nos organizamos, por isso não só não cabemos na estrutura do estado capitalista, senão que cada dia sentimos más repugnância pelo poder de cima, que fazem cada dia mais notório o profundo desprezo contra todas e todos os mexicanos. A grave situação que vivem nossos povos e que tem agudizado gravemente nas últimas semanas pela repressão e o despojo, só tem merecido o silencio cúmplice de todos os candidatos.

Em consequência, por acordo da segunda sessão de trabalho do Concelho Indígena de Governo, realizada nos dias 28 e 29 de abril na Cidade do México, nem o CIG nem nossa porta-voz buscarão nem aceitarão nenhuma aliança com nenhum partido político ou candidato, nem clamarão a votar ou à abstenção, senão que seguiremos buscando a todos os de baixo para desmontar o pestilento poder de cima.  Votem ou não votem, organizem-se.

Caminharemos construindo as formas para sarar o mundo.

Nos povos originários deste país, onde o Concelho Indígena de Governo foi acordado, e que é por onde nossa porta-voz caminhou tecendo, tal como foi o mandato da assembleia geral do CNI, estão as resistências e as rebeldias que dão forma a nossa proposta para toda a nação, por isso junto com as e os conselheiros de cada estado e região percorremos suas geografias, onde a guerra e a invasão do monstro capitalista se vive dia a dia. Onde a terra é despojada para que deixe de ser coletiva e fique em mãos dos ricos, para que os territórios sejam ocupados e destruídos por empresas mineiras, os aquíferos devastados para a extração de hidrocarbonetos, os rios contaminados, a agua privatizada em represas e aquedutos, o mar e o ar privatizados pelos parques eólicos e a aviação, as sementes nativas contaminadas por transgênicos e tóxicos químicos, as culturas feitas folclore, os territórios configurados para o funcionamento do narcotráfico transnacional, a organização de baixo submetida a violência terrorista dos grupos paramilitares que servem aos maus governos.

Nos vimos também nos caminhos que se iluminam nos mundos que guardam suas culturas, quando neles se desenha a proposta e a palavra dos demais povos indígenas, e de sua própria luta e de sua própria língua surgem os fundamentos que são a razão de ser do Concelho Indígena de Governo.

É aí onde brilha a esperança que saímos buscando, como é também a sociedade civil organizada nas cidades com a Sexta, com os grupos e Redes de apoio ao CIG que não só saíram a mostrar sua solidariedade e fazer uma agenda em todo o país, senão que saíram a construir em baixo, das próprias ruinas capitalistas, um melhor país e um melhor mundo.  A tod@s el@s nossa admiração e respeito.

Chamamos a todas e todos que somos o povo do México, as e os compas das Redes de apoio ao Concelho Indígena de Governo em todos os estados do país, as companheiras e companheiros que conformaram a Associação Civil “Llegó la Hora del Florecimiento de los Pueblos” a continuar consultando e avaliando, fazendo as avaliações, encontrando e caminhando os novos sendeiros que decidamos, organizando-nos sempre, mesmo que votem ou não votem por algum candidato.  Suas palavras, sentimentos e propostas importam para nós.

Continuaremos fazendo pontes respeitosas com aqueles que vivem e lutam, para assim juntos fazer crescer a palavra coletiva que nos ajude a resistir contra a injustiça, a destruição, a morte e o despojo, para reconstruir cada tecido do país com a consciência dos que embaixo sonham e se rebelam com suas próprias geografias, culturas e modos.

Na proposta coletiva dos povos está guardada nossa palavra que se dirige ao mundo, então continuaremos caminhando para baixo, em direção aos povos, nações e tribos indígenas que somos, portanto chamaremos no mês de outubro de 2018 a Assembleia General do Congresso Nacional Indígena, para conhecer os resultados da valoração dos originários agrupados no CNI, e avançar no seguinte passo.

Irmãs e irmãos do povo do México e do mundo, sigamos juntos pois falta o que falta.

Pela reconstituição Integral de Nossos Povos

Nunca mais um México sem Nós

Congresso Nacional Indígena

Concelho Indígena de Governo

Comissão Sexta do EZLN

 

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