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Palabra del Ejército Zapatista de Liberación Nacional

Feb162018

Palavras do Comité Clandestino Revolucionário Indígena-Comandância Geral do Exército Zapatista de Libertação Nacional, 1 de janeiro de 2018.

Palavras do Comité Clandestino Revolucionário Indígena-Comandância Geral do Exército Zapatista de Libertação Nacional, 1 de janeiro de 2018.

24 Aniversario do início da guerra contra o esquecimento.

BOA NOITE, BOM DIA:

COMPANHEIROS, COMPANHEIRAS BASES DE APOIO ZAPATISTAS.

COMPANHEIROS, COMPANHEIRAS RESPONSAVEIS LOCAIS, REGIONAIS E AUTORIDADES DAS TRÊS INSTÂNCIAS DE GOVERNO AUTÔNOMO.

COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS PROMOTORES E PROMOTORAS DAS DIFERENTES ÁREAS DE TRABALHO.

COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS MILITARES,

COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS INSURGENTAS E INSURGENTES ONDE QUER QUE SE ENCONTREM.

COMPANHEIROS, COMPANHEIRAS DA SEXTA NACIONAL E INTERNACIONAL.

COMPANHEIROS, COMPANHEIRAS DO CONGRESSO NACIONAL INDÍGENA.

COMPANHEIROS, COMPANHEIRAS DO CONCELHO INDIGENA DE GOVERNO E SUA PORTA-VOZ MARIA DE JESUS PATRICIO MARTINEZ ONDE QUER QUE NOS ESCUTEM.

IRMÃOS E IRMÃS DE TODOS OS POVOS ORIGINÁRIOS DO MUNDO QUE NOS ESCUTAM.

IRMÃOS E IRMÃS CIENTISTAS DOS DIFERENTES PAÍSES QUE NOS ACOMPANHAM.

IRMÃOS E IRMÃS DO MEXICO, DA AMÉRICA E DO MUNDO QUE HOJE NOS ACOMPANHAM OU NOS ESCUTAM DE ONDE SEJA.

IRMÃOS E IRMÃS DOS MEIOS LIVRES E ALTERNATIVOS, NACIONAL E INTERNACIONAL.

Hoje, 1º de janeiro de 2018, estamos aqui para celebrar o 24 aniversários do nosso levantamento armado contra o mal governo e do sistema capitalista neoliberal causantes de todo tipo de mortes e destruição.

Assim como os povos originários, faz mais de 520 anos nos têm submetidos a exploração, marginação, humilhação, desprezo, esquecimento e despojo de nossas terras e riquezas naturais em todo o território mexicano.

Por isso no dia 1 de janeiro de 1994 dissemos: JÁ BASTA! De viver com tantas injustiças e morte, e assim revelamos ao povo do México e ao mundo nossas demandas de Democracia, Liberdade e Justiça para todos, que dissemos nas nossas demandas de terra, trabalho, moradia digna, alimentação, saúde, educação, independência, democracia, liberdade, justiça e paz.

E agora que a violência está em todas partes e assassina mulheres e crianças, anciãos e jovens, e até a mãe natureza.

Por isso dizemos que nossa luta é pela vida, por uma vida digna.

E o capitalismo é o sistema da morte violenta, da destruição, da exploração, do roubo, do desprezo.

Isto é o que nos faz falta a todos os povos originários e a grande maioria dos habitantes deste país México e de todo o mundo.

Porque lhes pergunto, quem tem uma vida digna? Quem não tem a angustia de que pode ser assassinada, roubado, enganado, humilhado, explorado?

Se há alguém que está tranquilo e não lhe preocupa, bom, estas palavras não são para você.

Mas talvez você vê e sente que tudo está cada vez pior.

Já não só o trabalho está mal pago e o salário não dá para poder viver mais ou menos.

Agora também os grupos delinquentes, sobretudo os que são governos, roubam ou, pior, nos matam apenas porque sim, porque assim se sentem bem.

Então, se você pensa que assim são as coisas porque assim quer seu deus, ou porque é por má sorte, ou porque é o destino, então estas palavras tampouco são para você.

Nossas demandas são justas e, como dissemos publicamente faz 24 anos, não são só para nós os povos originários ou indígenas, senão que qualquer pessoa que não seja criminosa ou tonta, ou as duas coisas, sabe que são demandas justas e que cada vez são mais necessárias e urgentes.

Mas a resposta dos maus governos foi: lhe damos uma esmola, e conforme-se, porque se continua demandando e exigindo, aqui tenho meus grandes exércitos, minhas policias, meus juízes, minhas cadeias, meus paramilitares, meus traficantes, e você só tem seus cemitérios.

Então nós zapatistas, lhes dissemos: não estamos pedindo esmolas, queremos respeito a nossa dignidade.

E os maus governos disseram que não sabem o que é dignidade. Perguntaram se essa palavra é maia ou é de outro planeta, porque não está nos seus dicionários, nem em sua cabeça, nem em sua vida.

E sim, têm tanto tempo de servir e cheirar o rabo dos ricos, que já se esqueceram o que é dignidade.

Como esses maus governos estão condenados a render-se, a vender-se, claudicar-se, pensam que assim são todas as pessoas, que assim é todo o mundo, que não há quem diga, pense, lute, viva e morra de não se render, não se vender, não claudicar.

Por isso não entendem o zapatismo. Por isso não entendem os milhares de nomes que tomam a resistência e a rebeldia em muitos cantos do México e do mundo.

E assim é o sistema, companheira, companheiro, irmão, irmã, o que não entende manda perseguir, prender, assassinar, desaparecer.

Porque quer o mundo domado, como se as pessoas fossem uma besta de carga que têm que obedecer ao que diga o amo, o mandão, e que se não obedece, chicote, pau, prisão, tiros.

Ou seja, para o capitalismo, a resistência e a rebeldia é como uma doença que o ataca, o chateia, lhe dá dor de cabeça, lhe dá um chute no saco, lhe cospe na cara. Faz que se sentir mal.

E o remédio que o capitalismo tem para isso, são os policiais, as cadeias, os exércitos, os paramilitares, os cemitérios se tiver sorte, senão, vai saber onde te jogam.

E mesmo que você não seja resistência e rebeldia, mesmo que você pense que está tranquilo e que é bom cidadão e vota por como se chame o Trump da vez em seu calendário e sua geografia.

E mesmo que você critique e queixe dos que protestam e se rebelam. E você diz “vai trabalhar e para de reclamar” quando protestam de Acteal, ou da creche ABC, ou de Atenco, ou de Ayotzinapa, ou de Mapuche, ou do nome que tome a próxima desgraça que aconteça.

E você acha que tudo isso está muito longe da sua casa, da sua rua, do seu povoado ou bairro, do seu trabalho, da sua escola, da sua família, mas não. Tudo isso que se sabe e muitos horrores que não se sabem, estão aí perto de você.

Mesmo que você ache que nunca vai acontecer com você, resulta que sim vai acontecer, com você ou com alguém próximo de você.

Porque o sistema e seus governos já não têm controle, já estão enlouquecidos, já se embebedam de dinheiro e de sangue, e começam a levar tudo e todos e, sobretudo, todas e todoas.

Então, irmã, irmão, companheiro, companheira, se você pensa que é verdade que a situação está muito difícil e que já não se aguanta, então falta saber o que você vai fazer.

Se você pensa que alguém, seja um líder, um partido, uma vanguarda vai resolver todos os problemas e que você só tem que pôr um papelzinho de voto e pronto, tão fácil, pois pense bem se é mesmo assim.

Então, estas palavras não são para você. Fique tranquilo ou tranquila esperando a nova zombaria, a nova fraude, o novo engano, a nova mentira, a nova desilusão. Que não são novas, são as mesmas de sempre, só mudam de data no calendário.

Mas talvez você pense que de repente se possa fazer algo mais. E se pregunte si é possível, ou se a luta, a resistência, a rebeldia, só estão nas canções, nas poesias, nos cartazes e nos cemitérios.

E te dizemos que nós zapatistas, nos preguntamos o mesmo faz 24 anos quando saímos para morrermos nas ruas e praças das cidades.

E assim você nos viu. E assim nos viram também aqueles que se dizem grandes dirigentes revolucionários e nos desprezaram antes, como nos desprezam agora, que souberam da nossa luta enquanto jantavam e riam em seus festejos de ano novo, enquanto nós zapatistas do EZLN púnhamos a vida e a morte onde esses põem os museus.

E então respondemos a nós mesmos. Respondemos: “vamos ver se é possível viver com dignidade sem maus governos, sem dirigentes e sem líderes e sem vanguardas, já chega de tanto Lenim e tanto Marx e muito gole, mas nada de estar com nós zapatistas. Muito falar do que devemos ou não fazer, e nada de pratica. Que a vanguarda, que o proletariado, o partido, a revolução, e toma uma cervejinha, um vinho, um churrasco com a família.

Fazer o que, pensamos, acho que a vanguarda revolucionaria está ocupada experimentando ternos e palavras para o triunfo, assim que temos que trabalhar do nosso jeito, como indígenas zapatistas.

Esses não são os indígenas, e são ainda menos os zapatistas, porque ser zapatista não é para qualquer um.

E assim foi como começamos isso que agora se conhece como autonomia zapatista, mas que nós dizemos que é a liberdade segundo nós zapatistas, nem amo, nem patrão, nem capataz, nem líder, nem dirigente, nem vanguarda.

Durante estes 24 anos viemos construindo nossa autonomia, desenvolvendo nossas diferentes áreas de trabalho, consolidando nossas três instancias de governo autónomo, formalizando nossos próprios sistemas de saúde e educação, criando e fortalecendo nossos trabalhos coletivos, e em todos estes espaços de autonomia é onde conta a participação de todos e todas, mulheres, homens, jovens e crianças.

E assim estamos demostrando que nós os povos originários, temos a faculdade e a capacidade de governar-nos sós, não necessitamos a intervenção de nenhum partido político que só engana, promete e divide nossos povos e não estamos recebendo nenhum tipo de ajuda dos governos oficiais.

Também não aceitamos que ninguém nos venha dizer o que podemos fazer e o que não podemos fazer. Aqui tudo discutimos e definimos em coletivo.

E por isso mesmo às vezes demoramos, mas o que sai é de coletivo. Se sai bem, é coletivo. Se sai mal, é coletivo.

Assim é nosso jeito, e se está bem ou mal, vocês vejam e comparem suas pobrezas com as nossas, suas mortes com as nossas, suas doenças com as nossas, sus ausências com as nossas, suas dores com as nossas, e vejam que estão comparando seus pesadelos com nossos sonhos.

Estamos vivendo e lutando com o próprio esforço individual e coletivo como zapatistas que somos, mas sim, reconhecemos que ainda nos falta muito por fazer, faz falta organizarmos mais como povos, ainda temos muitas dificuldades para desenvolver bem nossas diferentes áreas de trabalho, também falhamos e cometemos erros como todo ser humano, mas corrigimos e seguimos adiante.

Porque nossa organização somos nós mesmos. Ninguém que não seja um sem vergonha, folgado e mentiroso pode dizer que fez por nós. E não temos medo de reconhecer o que fazemos mal, e de nos sentir contentes do que fazemos bem. Porque o mau e o bom que somos, é nosso. Nos valoriza nossa própria gente. Mesmo que às vezes há aqueles que viaja e passeiam na Europa e comem bem e bebe dizendo que eles fizeram, e agora até inventam sua própria “Frida Sofía” para conseguir atenção e dinheiro, e oferecem dinheiro para comprar consciências e acham que a luta vem com o sobrenome e não com o compromisso real, e se aliam com os narcotraficantes para nos atacar. E o único que acontece é que são sem vergonhas e mentirosos.

Porque, de mão dadas com esses diz que revolucionários e seus paramilitares, os maus governos continuam empenhados em destruir e acabar com nossa luta, nossa resistência e rebeldia com uma guerra económica, política, ideológica, social e cultural, repartindo migalhas e esmolas aos que estão filiados nos partidos onde considera estratégico, porque só dá mais apoio económico, moradia e reparte alimentos e projetos, às vezes como governos, às vezes como partido, e às vezes como supostos direitos humanos, onde há zapatistas e além disso usam todos os meios de comunicação para difundir suas mentiras, suas más ideias, suas promessas, seus enganos bem maquilados; tudo isso com o objetivo de debilitar a resistência dos zapatistas, com a intenção de dividir, confrontar e comprar consciências do povo indígena e pobre.

Nós, as e os zapatistas, não somos esmoleiros, somos povos com dignidade, com decisão e consciência para lutar pela verdadeira democracia, liberdade e justiça, nós estamos bem claros e certos que lá de cima nunca virá nada bom para os povos, não podemos esperar que a solução dos nossos problemas e necessidades venha dos maus governantes.

E sabemos quem tem estado junto com nós e quem não, nós zapatistas, desde antes do início, nesse primeiro de janeiro, e nesses 24 anos de resistência e rebeldia.

O mau governo, os vanguardistas paramilitares e os ricos nunca vão nos deixar viver em paz, buscarão mil formas para destruir e acabar com a organização e as lutas do povo, porque nestes últimos anos tem crescido sem medida os crimes, a perseguição, desaparições, encarceramentos injustos, repressões, desalojos, torturas e assassinatos, só para mencionar alguns como San Salvador Atenco, Guerrero, Oaxaca, Ayotzinapa, etc. E entre as comunidades e municípios tem provocado mais contradições e enfrentamentos, e fazem com que os problemas não se resolvam de boa maneira senão que seja mediante a violência, por isso continua mantendo, protegendo e equipando grupos paramilitares, porque os maus governos querem que nos matemos entre irmãos do mesmo povo.

Por tudo o que está acontecendo demostra que já não há governo nos nossos povoados, municípios, estados e no nosso país.

Os que dizem que governam, já são só ladrões que se engordam mais as custas do povo, são criminosos e assassinos, são capatazes, mordomos e jagunços dos patrões que são os grandes capitalistas neoliberais.

São bons defensores dos interesses dos seus patrões para saquear as riquezas naturais do nosso país e do mundo, como a terra, os bosques, as montanhas, a água, os rios, os lagos, lagoas, o ar e as minas que estão guardadas no seio da nossa mãe terra, porque o patrão considera tudo uma mercadoria e assim querem nos destruir por completo, ou seja, acabar com a vida e a humanidade.

Por isso como povos originários deste país aqueles que conformamos o Congresso Nacional Indígena, chegamos no acordo de dar um passo e conformar o Concelho Indígena de Governo e a nossa porta-voz María de Jesús Patricio Martínez, que convoca, que conscientiza, que informa, que dá ânimo e faz um chamado a todos os setores de trabalhadores do campo e da cidade a organizar-nos, a unir-nos e a lutar juntos com resistência e rebeldia nas nossas comunidades e nossos centros de trabalho, no nossos calendários e geografias para que assim possamos defender-nos da hidra capitalista que já está sobre nós.

Mas os governos e os patrões que são os grandes capitalistas, impõem a chamada “Ley de Seguridad Interior”, ou seja, a militarização das nossas ruas, nossas estradas e nossas comunidades em todo o país.

E ainda nos fazem acreditar que é para combater o crime organizado quando na realidade a ideia que têm é para nos manter controlados, calados, divididos, ameaçados, com mais violência e impunidade para os povos.

Por isso nós os zapatistas decidimos que já não podemos confiar absolutamente nada neste sistema capitalista onde vivemos, porque já percebemos, e faz centenas de anos estamos sofrendo todas suas maldades sem distinção de pessoas nem de partido.

Devemos nos organizar e nos unir todos os setores de trabalhadores do campo e da cidade, indígenas, camponeses, professores, estudantes, amas de casa, artistas, comerciantes, empregados, operários, doutores, intelectuais e cientista do nosso país e do mundo, o único caminho que nos sobra por fazer, é que devemos nos unir mais, organizar-nos melhor para construir nossa autonomia, nossa organização própria como povos e trabalhadores, porque é o que vai nos salvar da grande tormenta que se aproxima ou já está sobre nós que vai varrer a todos e todas.

Por isso é que neste aniversario que são já 24 anos do nosso alçamento armado neste planeta terra, hoje queremos falar a nossas companheiras da sexta nacional e internacional.

Queremos falar também as irmãs do México e do mundo.

Assim companheiras e companheiros da sexta nacional e internacional.

Irmãs e irmãos do mundo.

Quando dizemos que temos mais de 500 anos de exploração, repressão, desprezo e despojo. Não estamos mentindo.

Já passamos e sofremos as guerras dos maus governos e dos ricos.

Não podem dizer-nos que é mentira. Foram nossas tataravós e tataravôs os que deram seu sangue e suas vidas para subir ao poder aos mesmos exploradores que são os tataravôs dos que estão agora no poder. Isto não pedem nos dizer que é mentira, aí estão. São os culpados que agora estão nos destruindo e a mãe natureza também.

Não vamos parar de lutar, até morrer se for preciso.

E hoje temos mais vontade de lutar, com nossas companheiras e companheiros do Congresso Nacional Indígena.

Apoiamos mais a companheira Marichuy e as companheiras e companheiros do Concelho Indígena de Governo.

Queira ou não queiram algumas ou alguns.

Temos deixado bem claro, desde o princípio. Lembro da Convenção Nacional Democrática, em 1994 em Guadalupe Tepeyac, que dissemos: “Nos calamos, se nos mostram que há outro caminho para que nos derrotem nosso ser armado”.

E até hoje não nos mostraram esse outro caminho para derrotar o sistema de morte e destruição que é o capitalismo.

Os que nos estão mostrando o caminho, são as companheiras e companheiros do Congresso Nacional Indígena, com a companheira Marichuy e o Concelho Indígena de Governo. E os apoiamos sem deixar de ser o que somos.

E não temos vergonha de apoiá-los. Porque sabemos bem que não estão buscando o Poder ou ter cargo, pelo contrário seu trabalho é levar a mensagem de que é necessário organizar-se para a vida. Assim tão claro.

E claro que há algumas e alguns mentirosos que andam dizendo que já somos eleitoreiros. É uma vil mentira e são pessoas castelhanos que sabem ler e escrever, mas que não leem ou saem com suas manhas de mentirosos. Que lástima, que pena que não têm entendimento e não têm vergonha.

Ninguém vai mudar o que somos, só quando já estejamos mortas e mortos ou quando já formos livres.

Irmãos e irmãs do México e do mundo, não se deixem enganar.

No México já não há lugar onde se possa caminhar tranquilo, onde quer te pegam e te matam.

Muitas maldades do capitalismo aqui no México e no mundo.

Muitas outras coisas mais, isto é o que estão nos dizendo as companheiras do Congresso Nacional Indígena e sua porta-voz Marichuy e o Concelho Indígena de Governo.

Muito nos zombam, que a companheira Marichuy não sabe governar, não nos vai dar nada. Irmãs e Irmãos, o que lhes têm dado os governos do PRI e do PAN? Acaso não têm feito matanças, corrupções, más decisões? Onde está isso que dizem que só sabem governar os que tem estudos? Não conseguem ver isso?

Esso é o que quer dizer-lhes a companheira Marichuy, quando lhes diz que nos organizemos o campo e a cidade, e que nos unimos indígenas e não indígenas, porque vejam de que tamanho é o que nos tem passado com esses governos maus.

O que lhes tem dado este imbecil que está agora no governo? O Peña Nieto é o pior cínico, inepto e sem vergonha, que se cobre com os outros iguaizinhos a ele.

Com eles não acontece nada e com o povo explorado tudo paga com sua vida, o que acontece com vocês que não conseguem ver?

Por que se movem só depois que acontece essas piores situações? Por que, os que não lhes acontece, e fazem de conta que não veem e não se movem; e quando já aconteceu saem gritando, ajuda, ajudem-me?

E quando a companheira Marichuy fala, dizem que não tem bom discurso, que não sabe falar, dizem. Ah esse Concelho Indígena de Governo, mas não sabe nada, assim dizem.

O Concelho Indígena de Governo está lhes dizendo a verdade. Não querem a verdade? Ah, é que vocês não gostam da verdade. Querem que falem bonito e lhes façam promessas? E quando chegue a dor a bater na tua porta, vai responder com promessas?

Irmãs e Irmãos indígenas e não indígenas, ninguém vai lutar por nós, ninguém absolutamente ninguém, além que nós mesmos.

Despertemos os outros povos explorados e despertemos também os que dizem que têm estudo. Por isso ajudemos e apoiemos a companheira Marichuy com o Concelho Indígena de Governo.

Organizemos para que possa dar sua gira pelo país a Companheira Marichuy e seu Concelho Indígena de Governo, mesmo que não consiga as assinaturas para ser candidata. Porque a assinatura não é a que luta, não é a que vai nos organizar, somos nós que temos que escutar-nos, conhecer-nos e daí, ao sentir-nos como estamos, aí pode partir nosso pensamento sobre como organizar-nos mais melhor e que caminho seguir.

Ninguém mais vai dizer a palavra que diz o Concelho Indígena de Governo e a porta-voz Marichuy.

Se ela não diz, vão escutar só ruído, o mesmo ruído de sempre, e logo continuará a mesma desilusão de sempre.

Não permitamos que nos digam “pobrezinhos dos índios, ajudemos com o que sobra” assim como nos fazem os governos maus.

Só com a organização do povo pobre do campo e da cidade, haverá liberdade, justiça e democracia. Se não há isso, o que haverá é um mundo como FAZENDA CAPITALISTA e isto é o que já está começando.

Se há alguém mulher ou homem que pensa e acredita que é mentira o que estamos dizendo da hidra capitalista, bom que nos argumente, que nos diga claramente como é isso que é uma mentira o que estamos dizendo para ver se vamos acreditar, porque nosso sentir e ver e conhecer é que vemos que assim está e assim vai estar. Ou talvez o que se vê é que é difícil, lutar, organizar, mas não tem outro jeito.

Sabemos que é duro o que estamos dizendo, mas acaso é mole, suave o que virá com a hidra capitalista?

Não, irmãs, irmãos, será horrível, terrível.

Por isso as companheiras bases de apoio Zapatistas estão chamando às companheiras do Congresso Nacional Indígena e todas as mulheres que lutam a encontrar-se no dia 8 de Março às mulheres que não têm medo, mesmo que sim tenham mas é necessário controlar, porque será más horrível o outro.

Porque elas, as mulheres zapatistas, as mulheres do CNI, as mulheres da Sexta, e as mulheres que lutam em todas partes do mundo, estão nos dizendo que temos que organizar, rebelar, resistir.

E isso é o que estão nos dizendo também a companheira Marichuy e o Concelho Indígena de Governo.

Assim que adiante companheira Marichuy, caminhe, e quando se necessite corra e detenha-se e logo continue, não temos outra chance.

Sigam adiante Companheiras do Concelho Indígena de Governo

Adiante companheiras do Congresso Nacional Indígena.

Temos certeza que se os povos se organizam e lutam, vamos conseguir o que queremos, o que merecemos, ou seja nossa liberdade. E a força importante é nossa organização, nossa resistência, nossa rebeldia e nossa palavra verdadeira que não tem limites nem fronteiras.

Agora não é o momento de voltarmos para atrás, de desanimarmos ou de cansarmos, devemos estar mais firmes na nossa luta, manter firme nossas palavras e seguir o exemplo que nos deixaram os companheiros e companheiras que já morreram: de não se render, não se vender e não claudicar.

DEMOCRACIA

LIBERDADE

JUSTIÇA

Pelo Comitê Clandestino Revolucionário Indígena – Comandância Geral do Exército Zapatista de Libertação Nacional.

Subcomandante Insurgente Moisés.

Desde Oventik Caracol II zona Altos de Chiapas, México.

1 de janeiro do ano 2018.

 

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